sábado, 11 de fevereiro de 2012

A luta do ano

Hoje quero falar, a princípio, somente com as garotas. Meninos, se você resolverem ler, vocês vão concordar comigo. Nós mulheres devíamos nascer, cada uma, com seu guia de como compreender. Somos seres com muitos detalhes, muitas particularidades. Não ache que você entende a sua irmã ou sua mãe, que você vai entender outra mulher. Todas são diferentes. Isso que nos faz ser iguais.

Alias, porque um guia? Nada vai adiantar. Ninguém lê manual de nada. Imagina, nasce sua filha e junto vê um manual. Os pais iriam perder em algum lugar. Os que guardassem e entregassem aos futuros amores da sua princesinha, com certeza este cidadão iria perder. Ou a jovem iria, em algum momento, atear fogo no livreto.

Falo a vocês isso não pelo meu temperamento de fada má. Falo isso por fatos que eu vejo na rua. Estava eu na minha rua, quando vejo uma roda de pessoas. Fico, lógico, curiosa. Quero ver o que está acontecendo. Será que alguém morreu? Será um mágico? Mas escuto vozes. Após muito esforço chego lá na frente e vejo duas mulheres discutindo. Os xingamentos não param em todo instante que fico ali entretida (já reparou que nós, seres humanos, gostamos de reparar em barracos alheios).  Logo reparei que o motivo da briga não poderia ser outra (tá, poderia sim ser outro, mas não era): HOMEM.

Como mulher gosta de brigar pelos machos. Brigam, puxam cabelo, fazem de tudo, até macumba, para afastar a rival do homem de seus olhos.  E quando nada resolve, o famoso bate boca no meio da rua, ou fofocas, pode auxiliar (ou não) em seu objetivo. E era isso. Elas brigavam por tal de Carlos. Uma falando que o viu primeiro, que namoravam desde tanto tempo. E a outra chamando a outra de ridícula e mandou a frase emblemática da briga.

- Perdeu, piranha. Quem mandou não saber segurar o homem.

Vou abrir um parêntese aqui. Elas eram duas mulheres jovens, deveriam ter uma com uns vinte e quatro e a outra, mais jovem, que não deve passar dos vinte. E as duas lindas, diga de passagem. A mais novinha era uma mulata de cabelos cacheados. Uma voz de menina mesmo. Maquiada, shortinho. E a outra morena de sol. Cabelo pintado de loiro, bem tratado.  Muito bela. Esse Carlos deve ser lindo por duas mulheres bonitas disputarem ele.

Voltando ao barraco matutino. Sim, era de manhã. Logo cedo elas lá gritando. Uma buscando forma de humilhar a outra. Até que a morena puxou os cabelos da mulata. Virando de barraco a um grande bafão, com direito a banca de aposta dos marmanjos que ali assistiam a luta comigo. Ninguém separava as mulheres. Pelo contrario, colocavam mais fogo na situação.

Eu estava me divertindo com aquilo tudo. Sim, admito sem vergonha, que eu estava morrendo de rir, mas por dentro pensando: pelo menos elas têm um homem pra chamar de seu, mesmo que seja também da outra.
A morena rasgou a blusa da mulata e bateu em seu rosto a deixando com o rosto vermelho. A mulata enfiou o dedo no olho da morena e socou os seios. A luta estava sendo épica. Muito melhor que qualquer luta de UFC. Até que a disputa foi para o chão. Uma segurando o cabelo da outra com uma mão e com a outra se estapeando. Apertando todas as partes. Os rapazes foram à loucura quando a mulata apertou a vagina da outra, que gritou. Uma unhava a outra, querendo deixar as marcas, para fazer a adversária ficar feia para não agradar o tal homem. Eu não parava de rir.

Foi ficando cada vez mais tenso. As agressões estavam mais fortes. Uma batendo na cabeça da outra contra o chão. A polícia chegou. E afastou a galera e separaram as duas brigonas. Porém, o que mais me impressionou foi a chegada do Carlos. Um magrelo, branco, cabelo ruim e feio. Sim gente, estou sendo honesta. Ele era feio. Nada nele agradava. Eu queria saber até o que as duas viram no rapaz. Então, as duas e mais o garanhão da rua foram para a delegacia esclarecer os fatos.

Segui minha vida no dia pensando como somos egoístas e ridículos. Afetamos tudo em nossa vida quando a paixão e o ódio nos dominam. Tudo fica deixado de lado. Queremos só o que dizemos que é nosso. O “meu” é um pronome que não sai de nossa boca. Melhor manter nossas bocas ocupadas e beijar logo.

Até a próxima.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

TPM: O caos do mundo (feminino)


Quando nasci o médico feliz dizendo a minha mãe, mais feliz ainda, que eu era uma menina. Coisa linda, não é? A princesa da família. A garotinha do papai. Andava toda de rosa, toda prosa por aí. Minha infância foi linda diante de minhas bonecas e toda diversão que uma menina pode querer. Até fazer doze anos. A partir daí tudo começou a mudar, pois algo aconteceu. Algo que sempre acontece com todas as garotas, mais cedo ou mais tarde. Chama-se (cuidado você que é mais sensível): MENSTRUAÇÃO (não disse que assustava?).
O problema não é nem o que diz a piada machista que sangramos cinco dias e não morremos. O sangue, até as dores, o inchaço e tudo mais eu suporto. O problema é algo terrível, segurem-se nas cadeiras, crianças, parem de ler aqui. Meninos e meninas, o mal do mundo feminino se chama TPM. Sim, essas três letrinhas mudam o dia, pode acabar com relacionamentos e começar uma guerra mundial. A Tensão Pré Menstrual (ou Tô Puta Mesmo) ataca nossas mentes, nos deixam perturbadas e queremos chorar, ou arrancar a cabeça de alguém. O que ajudaria e muito.
Já soube de caso de homicídio que a mulher foi inocentada, pois alegou TPM (será que eu consigo o mesmo?).  Imagine, eu, uma fadinha má de natureza de TPM (esqueceram que eu me chamo Malfada, já quis muito encontrar o cara do cartório para matá-lo quando estava na minha TPM), um dia viro bruxa e transformo todos em sapos. Falando em bruxa, eu penso que lágrimas de uma mulher de TPM pode ser uma iguaria em tanto para feitiçarias.
                - Capim seco por estiagem de verão carioca, pão duro da esquina, patas de aranha, cuspe de celebridade, pentelho do cu de alguém que se chame João, lágrimas de uma mulher de TPM. Tudo pronto para meu feitiço de ser dona do mundo HA HA HA.
Outro dia, devido ao meu emocional fora do controle, quase quebrei meu pé. É que tentei quebrar meu carro (aquela lata velha) a base de chutes. Fiquei até com medo de ter pegado tétano e tratei de me vacinar. Já quebrei garrafa, copos, já me quebrei... Quebrar ajuda a aliviar o stress têpêemistico.
E algo que me irrita nesses momentos do mês é quando encontro alguém na qual não sabe dialogar. Fica usando palavras derivadas de m. Não entendeu? Hummm ahmmm heimmm oummm... alguém aí tem dicionário pra isso? Daí dependendo da tonalidade da voz que dizer uma coisa ou outra. E eu tenho que adivinhar???!!! Eu não sei de nada nem no português correto, imagina na língua do m. essa língua é mesmo uma m#%@$erda.
Outra coisa que me irrita nesses dias é quando eu estou chorando e a pessoa fala: chora não. P%#$@orra, se eu estou chorando é porque eu quero chorar. Ninguém tem a ver com isso. Então, não me peça calma. Não fale para eu parar de fazer algo. Já sei, quando estiver de TPM vou andar com camisa avisando para terem cuidado, pois estarei Treinada Para Matar.
E quando tenho que pegar algum coletivo. Seja ônibus ou metrô lotado. E alguém roçando em mim, mesmo sem querer. Pode ser uma mulher com a bolsa na minha bunda. Não sei se dou um tiro nela ou chamo a bolsa dela pra sair. Pode ser os dois, não é? Mas é onde mais me estresso. Muita gente junta não dá em coisa boa. Eu detesto quando vejo alguém jogando lixo no chão. E quando eu vejo, tenho vontade de aprender karatê e dar uma voadora na nuca deste ser humano porcalhão.
Nós mulheres que temos TPM psicopata devíamos ter pelo menos um dia de folga obrigatória. Pois sair de casa é um tormento. O ser humano é um tormento. São nessas horas que eu vejo que amo muito mais os animais. Ai ai a mãe natureza. Imagina você de TPM e de repente, no dia que você lavou o cabelo e fez chapinha para mais tarde encontrar com aquele gato, um pássaro atinge com seus dejetos o seu belo cabelo que lhe fez perder horas e dinheiro para mantê-lo impecável. Que vontade de ter um estilingue.
E pior, as pessoas acham que você não sabe.
                - Moça, tem um negocio branco no seu cabelo.
Tortura chinesa para este ser humano? Mas você tem que manter a pose (ou tentar) e ser educada.
                - Ai, que droga. Obrigada por me informar.
Mas o que você realmente queria dizer.
                - Eu te perguntei alguma coisa, sua trouxa. Cala sua boca, sua baranga. Mesmo com cocô de pombo na cabeça sou mais linda que você, que nem se morrer e nascer de novo sai algo de bom daí.
Pois é, TPM é melhor me manter trancafiada em algum lugar com ar condicionado, sem nada pra quebrar e alimentar com o que tiver de melhor e para beber suco de maracujá, muito suco de maracujá. Se tiver também um chá de camomila, ou algo do tipo, estou necessitando sempre.
Por ultimo, lógico que tem mais coisas, coisas que nasceram para irritar uma mulher de TPM. Computador. Já notaram meninas, que quando você está mais nervosa, seu computador dá uma pane banal que atrapalha tudo? Ou aquele texto que você está escrevendo, trabalho da faculdade, da pós, da escola, sei lá. Qualquer coisa importante some do nada e você tem que recomeçar diante lágrimas e palavras de baixo calão.
Então, meninos que sofrem com mães, amigas, namoradas e irmãs com TPM. Relaxam, reflitam. Pegue seu carro e vai pra o lugar mais distante possível, pois uma mulher de TPM pode ser fatal.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Capítulo I - Eu, eu mesma e minhas manias


… Aquela voz ficara ecoando em mim por muito tempo ainda. E não era qualquer voz. Não dizia qualquer coisa. Era uma voz doce, porém agressiva e impetuosa. Algo que contaminaria minha alma, pensamentos e mudaria de vez os meus dias tão vazios, até então. É o que me fez reviver em uma intensidade única. Um desejo único de transformação. Eu já não era mais a mesma…

Perdoem-me, caros leitores. Comecei este texto sem me identificar. Fui falando apenas de algo, que está penetrada em minha pele e olhar. Mas não me levem a mal, ou acreditem que tudo faz parte de uma loucura. Eu faço analise, tenho trinta e um anos de idade de momentos românticos, tortuosos, dignos, faceiros, onde eu era má e onde era enganada. Já fiz amor, já transei com pessoas que nem sabia o nome. Já fiz juras de amor eterno. Já desisti de amar umas trezentas vezes. Sou uma louca sim, como qualquer outra mulher de minha idade, solteira, sem filhos, que mora neste mundinho chamado Terra.

Meu nome, vocês devem estar se perguntando, ou não. Nem sempre o nome é o mais importante (eu que o diga, sou péssima com nomes). Então deixarei este dado como uma incógnita, falarei mais do meu eu do que daquilo que só condiz para operador de telemarketing.

                - Alô senhora Fulana Sicrana da Silva, estamos com um projeto de vida ótimo para a senhora estar vindo a adquirir.

Já disse a minha idade, algo que geralmente muitas mulheres omitem. Todas querem ser sempre uma personagem da Disney. Uma princesa linda, rica, magra, com cabelos lisos, inteligentes e com um príncipe encantado. Hoje estou dando vale coração até para um sapo bom de papo e divertido.

Deixa-me tentar falar de mim de uma forma menos genérica. Eu tenho idéias ótimas, mas não sei onde expô-las. Todos falam que eu sempre mereço algo melhor. Um amor melhor. Um cara mais bonito. Uma pessoa mais inteligente. Um trabalho melhor. Tudo pra mim tem que ser melhor. E eu fico querendo saber por que não posso feliz com pouco? Todos querem muito pra mim. O supra-sumo de tudo.   A perfeição tem que conviver comigo. Falam de minha beleza delicada e minha inteligência impar como motivos para isso. Meus caros, se eu fosse tão linda e inteligente não estaria solteira e com dificuldades em conseguir emprego.

É um mistério da vida. Eu sou a pessoa mais elogiada que conheço e ninguém me quer. Mas eu não estou aqui para desabafar, apesar já de ter feito isso aqui. Eu quero contar algumas coisas que nunca contei a ninguém nessa ultima semana. Mas não tenho muitas novidades. Eu não sou uma boa pessoa para falar de si mesma. Então vamos mudar de assunto, já estou querendo cortar minha julgular com a faca de manteiga.

Eu sou uma pessoa que presta muito atenção nas coisas inúteis da vida. Por exemplo, quando estou em algum lugar público lotado, adoro parar e prestar atenção em algumas frases. Sim, agora vocês terão certeza de meu destempero emocional. Eu sou colecionadora de frases ditas por desconhecidos. Mas a vida é feita de frases. Tudo tem vozes do nada. Gosto muito de reparar nisso.

As vozes não param. Falamos sem parar. Até quando estamos sozinhos temos diálogos internos. Mesmo que sejam pensamentos alheios a todo resto.

                - Será que ainda tem cerveja? 

- Será que aquela gata do sexto andar estava me dando bola?

- Que dor na barriga. Aquela p&*@#ra não me fez bem.

- Onde eu coloquei o meu cartão de crédito?

- Que musica mais chata que esse vizinho idiota está escutando.

- Mas onde mesmo que eu coloquei o cartão de crédito?

Mas as frases que eu coleciono são outras. Lembro de um dialogo de duas mulheres que até hoje eu morro de medo de ter escutado isso. Uma falou para a outra “ela está envenenando todos os dias o marido, uma hora ele morre”. Espero que eu tenha compreendido de forma equivocada esta frase.  Ou que minha memória ou minha audição estejam me pregando peças. 

Mas voltando a voz e a frase que mudaram a minha vida. Vai parecer tolice, mas foi em uma canção. Desde jovem escuto e tudo fez mudar minha concepção de vida. “Disciplina é liberdade”. Pois é. E não é mesmo? Vai morar sozinho para você dar razão a isso.

Antes que eu me despeça, direi meu nome. De verdade tenho vergonha. É Malfada. Era para ser Mafalda, mas o carinha do cartório não deve entender de português. Até hoje zombam de mim falando que eu sou uma fadinha muito da malvada. Talvez seja, ou não. Bem, até a próxima.